A culpa é da TI?

BR&M Tecnologia, OUTSOURCING de Infraestrutura e Suporte em projetos de ERPA governança de dados e a gestão da informação devem buscar caminhos que propiciem a interação constante e a plena integração entre as áreas de negócio e a TI, atribuindo as responsabilidades de cada uma delas

Há muitos anos trabalhando com consultoria em gestão, governança e qualidade de dados, especialmente nos últimos 10, tenho ouvido a seguinte frase dita pelos profissionais das áreas de negócio: “A culpa é da TI”. Desta forma, a área de Tecnologia da Informação tem sido responsabilizada pelo desempenho aquém do desejado. Não raro culpam TI pelo mau resultado em vendas. Os motivos apresentados são os mais diversos: o sistema de cadastro é antigo e não funciona; falta integração entre os sistemas; o CRM está incompleto; as informações geradas pelo ERP não permitem projetar novas vendas; o sistema é engessado e customizações são demoradas e caras. E a lista de desculpas não para por aí. Em tempos de vacas magras é assim que se cria na organização o ambiente do “nós contra eles”, gerando uma disputa nada saudável entre as áreas de negócio e a TI.

Considerando o ciclo de vida do dado e da informação, tal como expressado no DAMA-DMBoK (certamente alguém poderá pensar: “mas dado e informação possuem ciclo de vida?”, sim possuem), é possível identificar claramente as fases de responsabilidade de TI e as de responsabilidade das áreas de negócio. De forma mais objetiva podemos definir que Planejar, Especificar e Disponibilizar a estrutura para receber o dado são fases que estão na esfera de coordenação da TI. Já Criar ou Adquirir, Manter e Usar, Arquivar e Recuperar e por fim, Eliminar, são fases inerentes às áreas de negócio.  O ciclo de vida do dado e da informação nos permite “dar a César o que é de César”, ou seja, identificar a responsabilidade de cada um.

Este artigo pretende, na perspectiva da governança dados e gestão da informação, buscar caminhos que propiciem a interação constante e a plena integração entre as áreas de negócio e a TI, na medida que atribui as responsabilidades de cada uma.

Vejamos. A TI é responsável quando não mantém em seus quadros profissionais capazes de entender os objetivos da organização e de ajudar as áreas de negócio a obterem informações no tempo certo e com a qualidade necessária para a tomada de decisões mais eficaz. Por que “mais eficaz”? Porque dados e informações, mesmos quando “bons”, não garantem boas decisões, mas quando ruins certamente levam a péssimas decisões.

A TI é responsável quando seus profissionais pensam somente em fazer código e esquecem que o código não adequado ao conteúdo, em geral, gera dificuldades para as áreas de negócio.

A TI é responsável quando não possui em seus quadros profissionais treinados e altamente capacitados em arquitetura corporativa, arquitetura da informação e arquitetura de dados – é sempre bom lembrar que os profissionais saem despreparados das escolas e resta às organizações propiciar treinamento e oportunidade para melhor capacitá-los.

Vivemos a ditadura dos códigos. Nas escolas e universidades a preocupação é gerar códigos. Pobre do aluno que não souber C++. Em alguns cursos, a probabilidade de reprovação é alta. Como professor do curso de pós-graduação em Business Intelligence de uma faculdade conceituada na área de tecnologia da informação tive a oportunidade de identificar que esta realidade já se reflete no comportamento dos estudantes. Boa parte deles está interessada somente em gerar o código. Estes profissionais certamente terão dificuldades em entender o que as áreas de negócio precisam e querem saber.

A TI é responsável quando a organização não tem respostas para as seguintes questões: O que os dados significam? Quais são as fontes de dados? Quais são os valores válidos? Quais são as fórmulas utilizadas para calcular os dados/informações? Quais são as regras do negócio?  Quais são as regras técnicas? Quem são os donos dos dados? Quais são as partes interessadas no dado/informação? Quem conhece bem os dados para ser indicado e eleito o Data Steward em Negócios e fazer a interface com TI?

Engana-se entretanto, o profissional das áreas de negócio que pensa que basta apontar o dedo para a TI e se isentar da responsabilidade pelos seus resultados. Por isso volto ao ciclo de vida do dado e da informação para o correto balizamento.

As área de negócio são responsáveis quanto se recusam a criar/capturar dados com qualidade em um cadastro pelo qual deveriam zelar. Isto mesmo, o conteúdo de um cadastro é de responsabilidade das equipes de negócio. Eles são os maiores responsáveis quando compram dados das blacklists, fontes não fidedignas e não claramente definidas, e esperam, em troca, informações eficazes.

A TI não é dona do dado e da informação. Manter e usar os dados é responsabilidade das áreas de negócio, contando tão somente com a tutela da TI. Novamente aqui temos que “dar a César o que é de César”. Até aqui, TI tem sido área meio e negócio a área fim. As áreas de negócio precisam se esforçar para ajudar a TI a capturar os dados adequados, com a qualidade necessária para ter as informações disponíveis no momento certo para fazer mais negócios. Cabe aqui um importante alerta. As equipes de negócio não podem exigir, a favor do “time-to-market”, que a área de TI desenvolva sistemas de qualquer forma e a qualquer custo.

Neste ponto acho apropriado contar uma história que se passou comigo quando ainda trabalhava em uma grande instituição financeira. Havia lá um diretor de produtos, que denominarei como KK. Este diretor, o KK, atropelava todos os processos de desenvolvimento de sistemas para lançamento de novos produtos. Nas reuniões com a área de TI, não dava a mínima para como seria desenvolvido ou documentado o novo produto. Ele era o amigo do rei, ou seja, do presidente do banco. Por isso, em algumas ocasiões, no meio de uma reunião, fazia questão de ligar para o presidente com a clara intenção de intimidar o pessoal de TI. Os profissionais que tentavam alertar o KK para a necessidade de uma documentação mínima de produtos, com regras de negócios para alimentar sistemas e processos, eram tratados como inimigos e iam para a “geladeira”, perdiam equipe e oportunidade de promoção. Aqueles que corriam para fazer o que era pedido, quase sempre de forma atabalhoada, e colocavam os novos produtos no ar na base do heroísmo, eram colocados em evidência e promovidos.

Mas a proatividade desses profissionais nem sempre resultou em ganhos para a empresa. Tanto assim que, passado certo tempo, ficou claro para a organização que o comportamento do KK prejudicava os negócios. Seus produtos não tinham os controles necessários, não tinham os dados e as informações para a inteligência de negócios (BI), “estressavam” os profissionais de TI e muitas vezes não geravam informações que permitissem aferir seus resultados.

A história de KK nos deixa a seguinte lição: as equipes de negócio têm que saber alinhar com TI as suas necessidades e as equipes de TI têm que saber extrair das áreas de negócio as informações que precisam, além de entender que lentidão não pode fazer parte do seu dicionário.

Como fazer então para buscar um melhor relacionamento entre as áreas de negócio e a TI?  O primeiro passo é deixarmos de buscar culpados e passarmos a ver a TI e as áreas de negócio como parte da solução. Algumas metodologias e melhores práticas podem ser utilizadas, mas a criação de um programa de governança de dados é certamente a melhor opção. Uma governança que propicie interação constante e plena integração entre as áreas de negócio e a TI, com objetivos, prazos, custos e responsabilidades bem definidos. As duas áreas remando na mesma direção e na mesma intensidade.

A governança de dados preza muito a coordenação entre o trabalho realizado pelo data steward  técnico em TI (analista de sistemas, DBA, operador de computador, arquiteto de dados e outros) e o data steward de negócios. Estes profissionais, que já estão no quadro das organizações mais avançadas em governança, são responsáveis por fazer com que as necessidades das áreas de negócio sejam absorvidas pela equipe de TI. Complementando o trabalho dos data stewards há também o CDO – Chief Data Officer, em bom português, o chefe do escritório de dados. Cabe ao CDO fazer a ligação dos data stewards com a alta gerência, para garantir que as necessidades das áreas sejam esclarecidas, priorizadas e atendidas dentro da organização.

A realidade nos mostra que sem um projeto para integrar as áreas de negócio e a TI, essa “briga” está longe de terminar. Todos os esforços promovidos pela alta gerência serão altamente recompensados sempre que a solução considerar a melhor gestão da informação, governança e qualidade do dado como prioridade. E finalmente vale lembrar que dados e informações desgovernados frequentemente se chocam com os diversos problemas e idiossincrasias das organizações, gerando custos desnecessários e perda do time to marketing.

Para aprofundar este e outros assuntos relacionados à gestão da informação e governança de dados, estarei à frente da 7ª edição do DMC Latam, a ser realizado em São Paulo, os dias 14 e 15 de setembro. Acesse o site http://www.dmc-latam.com, confira a programação e os palestrantes já confirmados e participe com a DAMA Brasil do desafio de formar e capacitar os profissionais responsáveis pela gestão e uso estratégico dos dados e informações.

Fonte: Digital Network

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Sobre Ramires, F A. Borja

Sólidos conhecimentos em: GESTÃO ESTRATÉGICA DE NEGÓCIOS - Planejamento Estratégico Empresarial; - Balanced Scorecard (BSC); - Indicadores de Performance (KPI); - Avaliação de Potencial de Mercado; - Marketing Geográfico (GIS); - Business Intelligence (BI); - Inteligência Competitiva. GESTÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA - Planejamento Orçamentário; - Plano de Negócios; - Análise de Custo, Volume e Lucro; - Ponto de Equilíbrio e Alavancagem Operacional; - Formação e Análise de Preços; - Retorno sobre Investimentos; - EVA, MVA, EBITDA e Fluxo de Caixa Descontado; - Risco de Crédito com Credit Score.
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