Produtividade – O exemplo Japonês

Bandeira Japão A melhoria da produtividade está intimamente ligada à melhoria nas relações de trabalho. Para melhor constatar essa afirmação vamos embarcar na máquina do tempo e fazer mais uma viagem ao Japão de 1946, logo após a Segunda Guerra Mundial. Lá encontraremos, mais do que um país devastado pela guerra, um país cujos cidadãos conviviam com a miséria. O salário de um funcionário público japonês estava restrito ao valor equivalente a 1 dólar e 40 cents mensais. Essa constatação levou os Estados Unidos a promover o “Movimento de Produtividade no Japão” no início da década de 50 com o objetivo e o desejo de que os japoneses pobres pudessem se tornar autossustentáveis. Assim, em 1955 foi fundado o Japan Productivity Center – JPC.

O ano de 1955 foi um momento decisivo para a economia japonesa. Para esclarecer melhor o que aconteceu, é preciso resgatar os acontecimentos históricos daquele período.

Sob a batuta do Plano Marshall, as economias do oeste europeu estavam ressurgindo e desenvolvendo atividades de qualidade e de produtividade. Alguns dos esclarecidos líderes japoneses observavam cuidadosamente a situação européia e se convenceram da necessidade de desenvolver atividades similares no Japão, uma vez que para um pequeno país-ilha, dotado com escassos recursos naturais, o único modo possível de atender a aspiração nacional, comumente compartilhada naquele tempo pelo governo, indústria e sociedade, de reconstrução do país, a fim de atingir um modesto objetivo de “economia autossustentável”.

Depois da guerra da Coréia, a política americana em relação ao Japão passou de punição para o de desenvolvimento, considerando-o como membro dos aliados ocidentais e, em 1953, o governo americano sinalizou a disposição de estender programas de ajuda técnica de maneira similar ao Plano Marshall. Durante o ano de 1954, o governo japonês, mais especificamente o MITI – Ministério do Comércio Exterior e Indústria – estudaram minunciosamente, a fim de identificar a forma mais efetiva de acatar esta ajuda americana. A conclusão foi estabelecer uma organização de qualidade e produtividade similar ao Conselho de Produtividade Britânico, isto é, uma organização não governamental, sem fins lucrativos e tripartidária, com um corpo de direção compreendendo representantes dos grupos de gestão, trabalho e acadêmico. No início de 1955, os governos do Japão e dos Estados Unidos trocaram notas oficiais sobre os programas de cooperação técnica e o Japan Productivity Center – JPC foi formalmente inaugurado em março daquele ano. A ajuda americana se estendeu por sete anos, até 1961. Durante esse período, o número de missões de produtividade enviadas pelo JPC aos Estados Unidos somaram-se 395 grupos, envolvendo 4.011 pessoas, incluindo executivos, líderes sindicais, acadêmicos e profissionais.

Em conseqüência desse investimento técnico e financeiro, o conceito de produtos “made in Japan” passou a mudar. O modelo administrativo foi melhorado através de esforços intensivos no campo de treinamento e desenvolvimento de gestão e técnicas desenvolvidas por Willian Edwards Deming, Joseph M. Juran e outros.

O JPC tornou-se o mais bem sucedido centro de produtividade nacional na Ásia e dos mais ativos no mundo. O IBQP Pr é o instituto equivalente no Brasil e que tem feito um trabalho fantástico.

Uma questão fundamental vista pelo JPC como assunto de ordem nacional é a escolha que uma nação deve fazer entre ter um alto padrão de vida através do aumento de produtividade ou se conformar a uma baixa produtividade e a um padrão de vida relativamente baixo. Desde seu início, o JPC enfatizou o desenvolvimento de recursos humanos. Esse foi o aspecto fundamental de todos os programas dos centros de produtividade nacional na Europa. Isto impressionou os Sr. Kohei Goshi, fundador do JPC, em visita as organizações de produtividade na Europa Ocidental.

A conclusão foi de que o desenvolvimento da produtividade dependia mais do fator humano do que do estado de produção ou da tecnologia industrial. A atenção foi voltada para as relações de capital-trabalho construtivas e gestões de produção modernas.

O diferencial do JPC em relação aos demais foi considerar que produtividade não era meramente a razão entre intput e output, mas envolvia o elemento humano de forma substancial.

Neste sentido, embora não pareça conceituar produtividade é bastante complexo, uma vez que essa é considerada sob vários pontos de vista, gerando uma série de interpretações e mal entendidos. Basicamente, o conceito tradicional de produtividade e que tem prevalecido até hoje pode ser expresso pela equação:

OUTPUT RESULTADOS OBTIDOS

INPUT RECURSOS EMPREGADOS

Onde input corresponde aos recursos empregados no processo de transformação, tais como matéria-prima, equipamentos, trabalho e outros fatores de produção, enquanto que o output corresponde aos resultados obtidos na utilização destes recursos. Podemos afirmar então que: produtividade nada mais é do que uma medida para se verificar quão bem são empregados os recursos utilizados para se criar o resultado desejado.

Ao analisar está equação podemos até aceitar que o output ou resultado obtido, seja produtividade, mas se nos ativer ao input ou recursos empregados, a recíproca já não é necessariamente verdadeira. Na verdade estamos diante de um problema, pois para esse consideramos itens como mão de obra, matéria-prima, capital, etc. Agora: como justificar a um trabalhador que ele é apenas um recurso empregado dentro do processo produtivo? Como esse trabalhador se sentiria? Qual seria a sua motivação para procurar fazer o melhor?

Produtividade não é eficiência. Apesar de existir uma componente de eficiência, a produtividade não é um conceito limitado e estritamente técnico, trata-se de um conceito muito mais amplo e que deve ser elevado ao ponto de vista social.

Sob este aspecto, produtividade é, antes de mais nada, uma atitude mental. Significa melhorar de forma contínua, tudo que existe atualmente. Significa acreditar que o ser humano poderá fazer hoje, coisas melhores do que ontem, e amanhã melhor do que hoje. Este sentimento de fazer o dia de amanhã melhor que hoje é comum a todo ser humano. Esta é uma das razões que o conceito de produtividade não pode ficar limitado ao aspecto tecnológico, pois possui um aspecto muito mais amplo do ponto de vista social.

Neste sentido produtividade é conceituada como: uma atitude da mente que procura a melhoria do que já existe. É baseada na crença de que se pode fazer melhor hoje do que ontem, e melhor amanhã do que hoje. Resumindo, podemos afirmar que o significado da produtividade é tornar a humanidade mais feliz, através do constante progresso. Logo, temos aqui três conceitos fundamentais que são; humanidade, felicidade e progresso.

O verdadeiro sentido da vida e a razão de ser das organizações, do trabalho e do progresso é tornar a humanidade mais feliz, neste sentido pode-se afirmar que se o progresso tornar a humanidade infeliz, significa que, na prática, a produtividade não existiu e por incrível que pareça produtividade e confiança andam de mãos dadas, portanto, a união de trabalhadores, empresas e Instituições governamentais é fundamental.

A produtividade tornou-se uma atitude e então evoluiu para convicção, compromisso e finalmente uma filosofia, partindo de um mero cálculo usado para estimar e comparar o desenvolvimento econômico. Por isso o movimento pela produtividade é essencial para o desenvolvimento de um país. Seu propósito é, em primeiro lugar, maximizar cientificamente o uso de recursos materiais, mão-de-obra, equipamentos, etc., com o objetivo de reduzir custos de produção, expandir mercados, aumentar o número de empregados, lutar por aumentos reais de salários e pela melhoria do padrão de vida no interesse comum do capital, do trabalho e do consumidor.

Para isso é salutar lembrar que o propósito das atividades econômicas é alocar recursos limitados não só de maneira justa mas também apropriada, visando a melhoria do bem-estar social. Esse é um paradigma que deve ser vencido, pois a maioria dos empresários ainda possuem uma visão puramente capitalista. Em outras palavras, visão capitalista significa ter interesse apenas no lucro e na sobrevivência sua e da própria empresa. Esse tipo de atitude faz dos trabalhadores apenas operários, sem motivo algum para trabalhar a não ser a necessidade de ganhar dinheiro para atender suas necessidades essenciais. Nesse caso, o ponto de contato entre empresa e trabalhador é apenas pagar e receber o salário e o trabalho passa a ser simplesmente um negócio onde o empresário está interessado em ganhar o seu dinheiro e o trabalhador em receber o dinheiro da empresa. Não há empresa que resista a esse nível de relacionamento. Esse é um conceito muito pobre de negócio e que deve ser repensado.

Por Rubens Fava

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Sobre Ramires, F A. Borja

Sólidos conhecimentos em: GESTÃO ESTRATÉGICA DE NEGÓCIOS - Planejamento Estratégico Empresarial; - Balanced Scorecard (BSC); - Indicadores de Performance (KPI); - Avaliação de Potencial de Mercado; - Marketing Geográfico (GIS); - Business Intelligence (BI); - Inteligência Competitiva. GESTÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA - Planejamento Orçamentário; - Plano de Negócios; - Análise de Custo, Volume e Lucro; - Ponto de Equilíbrio e Alavancagem Operacional; - Formação e Análise de Preços; - Retorno sobre Investimentos; - EVA, MVA, EBITDA e Fluxo de Caixa Descontado; - Risco de Crédito com Credit Score.
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